7 de dezembro de 2011

Andarilha

Por Jacqueline Pacheco





Eu estive pensando no que mudou de lá pra cá.
E mesmo agora ainda penso se essa é a maneira ideal de começar a refletir sobre tudo isso.
Sobre como nos tornamos o que somos hoje e sobre o que esperamos ser - juntos - amanhã.
Eu me prometi não esperar nada. Acho até que esto cumprindo essa jura que me fiz.
Mas, ainda assim, vivo envolta em dúvidas. Sobre o que sinto, o que sentes, o que somos, o que parecemos e o que queremos.
Eu sei, eu sei... são elocubrações demais. Divagações a perder de vista.
É meu mal... faz parte da minha personalidade. Eu já entendi isso. Fazer o quê?
Guardo pra mim a maioria dos meus medos, anseios, angústias e frustrações. O que os outros vêem é quase nada, pode apostar.
Não costumo me lamuriar, sou mulher de agir. Se algo me incomoda, você saberá. Mas não pelas minhas palavras - salvo raras excessões - e sim pela minha feição, pelo tom da minha voz, pelos meus modos, ou seja lá do que queira chamar.
Eu mudo, me transformo. Se amo, amo. Se entristeço, choro no escuro do meu quarto. Se sinto, escrevo.
Foi a forma que aprendi a lidar com a complexidade e a intensidade do que se passa dentro de mim.
Não acho que seja especial. Com certeza existem muitas outras como eu e é provável que você tropece numa delas mais adiante.
Mas por mim isso não aconteceria. Você caminharia ao meu lado até nossos pés cansarem juntos da jornada.
Triste será se - ou quando- um de nós cansar primeiro e não mais quiser acompanhar o outro.
Se eu cansar depois de você, pode ficar tranquilo. Não virarei uma andarilha solitária.
Chorarei, sim. Talvez até vague perdida por uma nesga de tempo. 
Mas meu orgulho - santo orgulho - não me deixará chegar ao fundo do poço. Mesmo que ele pareça o único lugar apropriado.

2 Comentários:

  1. marcando presença nas leituras dos seus posts...parabéns!

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  2. A cada post que eu leio teu, mas gosto desse blog, parabens!


    www.garrotebox.com

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