3 de março de 2012

Um Bem Durável

Por Jacqueline Pacheco


Falaram-me tanto sobre como as flores murchariam depois de um ou dois dias...
Sobre como a escultura que construímos desmoronaria à primeira grande onda
Ou sobre como um vento forte levaria embora o que visse pela frente...

Veja, era mentira. Ou um engano. Ou um agouro. Ou uma dor na parte de trás dos braços.
Ou o quinto pecado capital dando às caras.

Há mais força que no início. Mais amor. Mais carinho.
Há ainda mais paixão. Mais cuidado. Mais de tudo que é bom.

Por que o que nos une é maior.
Maior que nós mesmos, inclusive.
E o tempo, tão curto na verdade, parece-nos grande.
Pois vivemos um ao outro com uma intensidade infinita.

O que temos é bonito. É verdadeiro. É real.
E dura. Há de durar...

1 de fevereiro de 2012

La Declaración

Por Jacqueline Pacheco



Uma carta escrita no calor da emoção
Um "eu te amo" dito no meio de uma conversa
Uma ligação no meio do dia só pela voz
Um sms apaixonado no meio da madrugada
Um buquê de flores só porque é segunda-feira
Um beijo de tirar o fôlego só pela presença
Uma alegria incontrolável só pela visão
As declarações apenas pela certeza
De que nunca restarão dúvidas

20 de janeiro de 2012

No Papel

Por Jacqueline Pacheco

Quero escrever um poema
Uma poesia ou uma carta
Qualquer coisa bonita e refinada
Falando de amor ou coisa que o valha
Mas não tenho ideia, nada
As palavras fugiram, sumiram
Minha felicidade tornou-se inexpressível
E irrepresentável, quase ilusão
Não consigo defini-la, mensurá-la
É muito e tanto para esta folha
É muito e tanto para meu talento de poetisa
O meu amor transcende a pena
E o finito das palavras já inventadas
Escrevê-lo? Já o fiz...
E ainda assim não dignamente
Pois que seria limitá-lo, diminuí-lo
E aprisioná-lo, reduzindo-o
Escrevo então sobre a ânsia em fazê-lo
A vontade de que o vejam
De que o entendam, de que não acabe
É o que posso
O máximo que consigo
Descrever do meu amor

15 de janeiro de 2012

Segunda Pessoa: Singular

Por Jacqueline Pacheco

Temo tanto em dizer-te estas palavras
Temo tanto sufocar-te de amor
A ânsia consome minh'alma
A vontade de ti devora-me a carne
E a saudade dilacera-me os sentidos
Sonho contigo noites e dias
Não sei quando os olhos estão cerrados
Ou abertos, arregalados
Pois que tu povoa-me a visão
E tão completamente que se torna real
Matéria, presença, proximidade, toque
A distância se apaga como por encanto
Surge o gosto, o cheiro, o hálito, o calor
Surge a união de nossos corpos
Tu, enfim... em mim e tão somente
Em meus sonhos, devaneios, desejos
E nas lembranças, esperanças e anseios
Tu! Que me tem há muito e por inteira
Que ferve-me a pele ao pronunciar meu nome
E me conforta a alma ao abraçar-me o corpo
És tu... Mas temo tanto em dizer-te tais palavras
Embora o meu silêncio grite que te amo.

21 de dezembro de 2011

Misunderstood

Por Jacqueline Pacheco

(Poesia escrita à 20 de Setembro de 2010)


Explicar-me-ei
Ao final de cada frase
Ao pronunciar de cada palavra
Vejo-me sempre obrigada
a obsequiar-me...
Desculpa!
Esconder-te-ei
O que sinto, o que penso
O que vejo e o que ouço
Só não reclame, por favor...
Lá na frente (daqui a pouco)
Se de minha voz não lembrares
Pois, em tua consideração,
não vou mais falar.
Calar-me-ei, ou melhor...
Calei-me já!